Meu primeiro texto sobre você.
Acordei, o dia estava lindo, e mal tive tempo de aproveitá-lo. As horas passaram rapidamente antes que eu pudesse me dar conta. Fiz tudo o que tinha pra fazer - ou quase tudo. Compras, visitas, comida, música, unhas… Put’s, o tempo passou. E quando falo em tempo, não me refiro apensa ao presente. Ao conjunto de tudo, passado, presente e futuro. Futuro… E a hora passou mais uma vez. Daqui à pouco é hora de ir. Ir, pra onde mesmo? Difícil não pensar em tudo e dizer: era minha casa, minha segunda casa. Era minha família, minha segunda família. Eu tinha pai, tinha uma mãe, um irmão engraçado - que também chamava de tio, uma irmã, que era meu tudo. Ah, tinha um cachorro também. Lindo. Mas o tempo tá passando. O tempo passou. Eu juro que me pergunto como, quando e porque tudo mudou. Me pergunto o porque de tudo estar assim. E, me pergunto o porque de você me chamar. Eu sei que prometemos não deixar nada mudar e tudo voltar a ser o que era. Mas, porque? É difícil não pensar nisso. Difícil não pensar em como éramos. Hoje te vejo feliz - ou pelo menos você demonstra isso. Não ri como antes, eu percebi. Mas também não sente minha falta. Isso dói. Então, porque? Porquê me chamar? Porque querer algo que talvez não faça mais sentido? Porquê? Veja só, o tempo passou mais uma vez. E esse tempo que nunca ajuda - sera?, parece até querer me levar de encontro a você. Ou será muita paranoia? Se for, me salve. Me salve, por favor! Todas essas perguntas, durante todo esse tempo eu não fiz mais nada a não ser pensar. Em tudo. Em mim, você, nossas risadas, nossas viagens, nossas pérolas. Na nossa felicidade. Engraçado, agora mesmo (e isso não faria parte do texto), pensei no seu abraço e o quanto choramos quando você teve que viajar. Isso doeu. Era uma metade de mim indo embora. Era uma viajem rápida, eu mesma falei isso pra você. Nos abraçamos e choramos. Não sabe o quanto é difícil lembra disso. Dói. E muito. Mas acho que você sabe. Mas o tempo passou, e continua passando. E quer saber? Eu não sei o que fazer. Essa é a verdade, eu nunca soube o que fazer desde o momento que você saiu da minha vida. Desde o momento que parei de te chamar de irmã. E isso é ruim. E sabe o que é mais ruim? Te olhar como desconhecida, não te abraçar forte, não deitar no teu colo, não passar horas conversando besteira, sonhando e fazendo planos. Você cresceu, e pra minha tristeza, longe de mim. Fora dos meus olhos. Distante dos meus cuidados. Me sinto culpada por isso. Mas tenho orgulho de você, quero que saiba disso. Você é uma pessoa linda, como sempre foi. Sempre te achei forte - até mais que eu. Você é meu orgulho. Pena o tempo ter passado e termos crescidas longe uma da outra. Sim, também cresci. Com algumas feridas, algumas mágoas. Mas cresci. E queria dividir isso com você. Mas o tempo continua passando. e não sei se teremos tempos para um novo re-encontro.
Sinto sua falta, preciso que saiba. Daqui a pouco é hora de ir. Posso confessar? Estou com medo. Medo de te olhar e ver tudo isso passar como um filme e eu não poder fazer nada. Você não poder fazer nada.
Queria que você pudesse ver isso, me ajudaria. Ou não. Mas pelo menos você saberia que era sobre você. Sobre mim. Sobre nós duas. Uma amizade. Uma irmandade. Um amor que não tem fim. Ou pelo menos não teria fim.
Termino esse texto com um nó na garganta, lágrimas nos olhos e uma vontade imensa de te abraçar.
Quétsia Dias (via alittle-inconsistent)